Stoner – John Willians

O livro mais marcante que li em 2017. Me lembro de ter parado antes da vigésima página lida e dito a mim mesmo: cacete, tenho uma obra de arte nas mãos. 

O livro conta a história de William Stoner, um humilde camponês que já tinha seu destino traçado. Continuar sendo um humilde camponês.

Mas Stoner se apaixona, pela literatura. E num rompante larga tudo que tinha, ou melhor, quase nada que tinha, para se dedicar aos estudos literários numa faculdade.

Essa decisão o afasta de sua família e nos leva a acreditar que ele tomará as rédeas de sua vida e dará a ela mais cores e brilhos. Mas isso é o que nós, leitores, queremos e não o que ele, Stoner, quer. De aluno dedicado ele se torna professor da universidade e isso já é “cor e brilho” que ele nunca imaginou. 

O mérito do autor está em nos levar página a página nos apresentando um homem tão comum, mas tão comum, que se torna um personagem especial, cativante, inesquecível. O senso ético do professor e sua discrição nos fazem querer mais “Stoners” no mundo, mas ao mesmo tempo seu estoicismo, sua capacidade de não se impor ao “destino”, nos deixa angustiados e irritados com um homem apático e conformado.

Em um determinado momento ele permite que sua esposa se aposse de seu escritório, onde ele escrevia, lia seus livros e se relacionava de forma delicada com sua filha, sem ao menos reagir. Ele simplesmente abre mão.

Mas é nesse misto de reações apáticas abundantes com pequenos movimentos ríspidos que o livro nos surpreende e o autor nos premia com uma história de vida memorável. Um livro pra ser lido e relido.

Ah, depois de ficar obcecado por “Stoner” fui atrás de outro livro do autor e encontrei “Butcher’s Crossing”. Não é uma obra de arte mas é um excelente livro com personagens bem construídos. 

Apenas um pouco de nada e nada a mais ou a menos.

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