O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro

Confesso, só descobri esse autor depois que ele ganhou o Nobel de Literatura em 2017. Fui conhecer sua obra e já no primeiro livro que li, “Não Me Abandone Jamais”, tive a certeza que ia me perder comprando e lendo boa parte dos seus livros.

Kazuo tem uma capacidade incrível de nos colocar diante de um dilema intrigante e sensível, fazendo com que ele seja o fio condutor de outras questões inquietantes. Tudo isso num ritmo lento, como se estivéssemos lendo e refletindo em câmera lenta, o que nos permite ir cada vez mais fundo, filosofando mesmo.  

Em “O Gigante Enterrado” ele nos leva uma Grã Bretanha pós Rei Arthur onde conhecemos o casal protagonista da história que vive numa pequena cidade cuja memória recente de seus habitantes é afetada por uma misteriosa névoa.

O casal decide sair em busca de seu filho que partiu, embora não tenham certeza para onde ele se mudou e nem mesmo uma lembrança exata de seu rosto. Em dado momento, eles se colocam o dilema: pode o amor existir sem a lembrança dos momentos que foram vividos no passado?

Sem entrar em spoilers, esse dilema é ampliado ao perceberem que podem recuperar a memória e a questão passa a ser: será que ao recuperar as lembranças do que passou o amor atual será capaz de resistir a elas?

Bom, leiam. Um livro sensível e intrigante de um autor que acredito ter uma visão privilegiada da vida e do mundo.

Apenas um pouco de nada e nada a mais ou a menos.

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